A cegueira do homem

 

Atrás havia um homem.
Um homem olhando para trás.
A procura de outro homem.
Que soubesse o que traz..

Andavam todos os homens.
Todos a olhar para trás.
Não enxergavam-se os homens.
Em frente seguiam para trás.

Não tinham sentimento os homens.
Já não sabiam se eram iguais.
Julgavam-se uns aos outros os homens.
Por não saberem o que o outro traz.

Viveram a vida esses pobres homens.
Os homens da visão para trás.
Sem olhar o olho do homem.
Os homens não se reconheciam mais.

Afinal, onde vão esses homens?
Para eles, agora, tanto faz.
Perderam a consciência o homem.
O homem que não sabe o que traz.

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Minimalismo

Não há o inútil em casa.
Preencho-me com pouco.
O muito já não tem graça.
Se o peito silencia rouco.

Tirei tudo do meu porão.
Era dessa vez consciente.
Sentia-me triste nessa visão.
De materialidade que prende.

A mobília foi sumindo.
Dando espaço para mim.
O mundo mentia sorrindo.
Mas o cheio chegou ao fim.

O muito me fazia pouco.
A televisão olhava e dizia.
Quem não tinha era louco.
A inutilidade da vida vazia.