A triste limpeza

A poeira sobe e enevoa meus olhos.
Limpeza também provoca escuridão?
Antes sujeira fomentava meus poros. 
Restou-me tristeza diante desse clarão.

Aprendi como menino deitado no barro.
Que aceitar o sujo é o dom dos felizes.
Peno por não ser o garoto vítima de sarro.
E caio, tomado por minha verdade que não existe.

Vislumbra-me ter sido um dia argila não firme.
Para a vida criar a obra-prima na própria moldura.
Infelizmente, limpei-me com água da sabedoria.
Escorrendo de mim a crença nas coisas puras.

Posso acreditar no homem vindo do barro.
Acreditando no erro da transparência humana.
Por isso nos escondemos na fumaça do cigarro,
E nos sujamos para disfarçar nossa própria gana.

2 comentários em “A triste limpeza

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s